Sissi a Imperatriz da Áustria (2)

A arquiduquesa Sophie, desde o início hesitou com tal união. No entanto, ela sabia que não tinha escolha. Suas queixas excessivas além de nada adiantarem, poderiam fazer com que seu filho optasse em não desposar nenhuma de suas sobrinhas, o que para ela, seria um opção ainda pior. Ela contentou-se então, em parte, em saber que Franz havia acatado sua vontade, o resto, ela poderia resolver com o passar do tempo, instruindo adequadamente sua tola e inexperiente sobrinha nas lições de uma digna consorte Imperial.

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Em seguida, Sophie transmitiu o desejo do Imperador para a Duquesa Luísa, que fora a responsável por comunicar a jovem Sissi, os seus desejos. Quando mais tarde, perguntaram-lhe se ela estava certa de seus sentimentos pelo Imperador, Sissi desata a chorar e diz: –

”E como não gostar dele? Poderei eu acaso pensar em mim, que sou tão jovem, tão insignificante? Eu faria tudo para tornar o imperador feliz; mas poderei?”

Felizmente para o Imperador, sua paixão por sua prima, era totalmente correspondida pela jovem. Sissi estava apaixonada e encantada pelo jovem e esbelto Imperador, com então, 23 anos de idade. As investidas e galanteios de Franz, a deixaram imensamente lisonjeada. No entanto, nem tudo era alegria. Sissi sabia da responsabilidade de tornar-se a esposa de um Imperador e isto a assustava sinceramente: –

”Se ele fosse apenas um simples alfaiate…” – Diria ela.

Os sentimentos de Sissi claramente foram sinceros, no entanto, ela encarava a ascensão como Imperatriz da Áustria, mais como um fardo, do que como um desejo. Ela também, estava ciente de que tal oferta, não poderia ser declinada: –

”Não se diz não a um Imperador” – Diria ela à sua mãe.

A proposta foi então, carinhosamente aceita por ela. Embora estivesse assustada com a responsabilidade que tal casamento traria-lhe, Sissi esperava sinceramente que esta união (que seria feita por amor) fosse muito feliz. Podemos notar isto, à partir deste poema escrito por Sissi anos depois, quando o puro amor que sentia pelo Imperador, há muito já havia murchado e transformado-se em fel: –

Não preciso contar-te sobre os tempos,
Que há muito, tão unidos vivíamos.
E que jamais poderemos esquecer.
Mesmo que deles, agora tão distantes estejamos

Sim, tive que vencer muitas batalhas
E muita amargura vivi desde então;
Mas foi ver morrer nosso amor
O que mais destroçou-me o coração.

No dia seguinte, a Duquesa Luísa escreve um bilhete à Sophie, anunciando ao Imperador da decisão da jovem. Franz fica demasiadamente alegre e radiante, em seguida agradecendo à Duquesa pelas maravilhosas boas novas.

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O Imperador então, segue rumo à Elisabeth, onde emocionado a beija e a enlaça em seus braços. Naquele momento, todos parecem muito felizes, exceto o irmão de Franz, Karl Ludwig, antiga paixão correspondida de Sissi, que demonstra estar claramente desapontado, mas que polidamente felicita o casal.

Elisabeth, sua desapontada mãe e magoada irmã, deixaram Bad Ischl em 31 de Agosto de 1853. Se antes Sissi era deixada em paz e podia fazer o que quisesse, agora as coisas eram muito diferentes. Ela passou a ser o centro das atenções de todos a seu redor. Desde o primeiro momento em que pisou os pés em sua casa, Elisabeth foi consumida em deveres sobre como tornar-se um boa Imperatriz. Ela estudou a rigorosa etiqueta da Corte, as modas, as pessoas que teriam significativos papéis em sua vida, as línguas e a história de seu novo país.
A pacata Possenhofen viu-se abarrotada por nada menos que três pintores, chamados para fazer seu retrato, costureiros, designers e joalheiros. O melhor retrato dela, iria diretamente para o Imperador. A própria Sissi descreveria-se certa vez, como tendo sentido-se como um ramo repleto de abelhas à sua volta. Aos poucos, ela ia percebendo que não era mais dona de sua própria vida.

Pouco tempo depois, a família Ducal fora informada que o Imperador faria um visita à sua noiva. Junto com as boas novas, a jovem recebeu de presente um belíssimo bracelete de brilhantes, adornado com um retrato do Imperador.

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Franz Joseph visitaria sua noiva em meados do Natal de 1853, após 3 meses de intensas trocas de cartas e juras de amor. Em Possenhofen, Franz viveu momentos felizes e estava cada vez mais certo de que com Sissi, fizera a melhor escolha possível de futura consorte. No aconchegante castelo da família ducal, ele brincou animadamente com os irmãos de Sissi e encantou-se com sua extrema destreza ao andar de cavalo. A visita no entanto, fora curta, uma vez que ele conseguiu ficar apenas alguns dias longe de seus deveres em Viena.
Entretanto, a jovem Elisabeth estava contente, pois estava no fim de seus estudos e início da montagem de seu enxoval, que incluía 358 vestidos, 16 chapéus e xales, 6 sobretudos, 8 mantilhas, 5 capas de veludo, 12 batas de renda, 14 dúzias de camisetas, 14 dúzias de pares de meias, seis pares de botas e sapatos, pentes e muitos outros itens da moda.

Com o noivado de Elisabeth o Duque e a Duquesa passam a ser requisitados à ocasiões formais e eventos políticos. Isto os irritou profundamente, uma vez que desejavam continuar levando a mesma vida pacata de outrora.

Seria quase um ano após o encontro em Bad Ischl, que Elizabeth, em 20 de Abril de 1854, deixaria parte de sua família, seguindo com alguns irmãos e seus pais rumo à Viena. A despedida de sua família e amados animais de estimação na aconchegante Possenhofen, deixara-lhe um profundo vazio. Ela descreveria em um de seus poemas, sua dor ao deixar seu amado lar: –

Adeus sossegados quartos,
Adeus velho castelo.
E para vós, primeiros sonhos de amor,
haja paz no regaço do lago.
Adeus árvores desfolhadas,
e vós, moitas grandes e pequenas;
quando viçardes frescos brotos,
eu estarei longe daqui.

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Seis robustos cavalos puxariam a carruagem até Straubing, sobre o Danúbio, onde o barco Imperial a aguardava. No assento traseiro estava Sissi e a Duquesa Luísa; no dianteiro Helene e suas outras irmãs e na boleia, seu irmão dois anos mais jovem, Karl Theodor.

O Imperador a encontrou em Linz, na Áustria, dia 21 de Abril. Ele então, a conduziu à uma morada rústica e aconchegante, onde todos passaram a noite. Na manhã seguinte, o casal e sua comitiva real, partiu rumo à Viena de barco Danúbio acima. A cansativa viagem levaria três longos dias e por todos os locais que passou, multidões aglomeravam-se para ver a noiva e gritavam em coro ‘‘Viva Elisabeth!”. O novo Imperador era muito querido por seus súditos e uma esposa que lhe faria bem, seria mais que bem-vinda e amada por eles. Ao chegar nos arredores de Viena, uma densa nuvem negra ameaçou os planos reais. No entanto, pouco depois ela dispersou-se, fazendo aparecer um vasto céu azul.
A jovem Sissi estava elegantemente trajada, com um vestido de seda rosa, cabelos muito bem penteados com um chapéu em forma de touca, e uma capa branca.
Quando Elisabeth aportou em Nussdorf, nos arredores de Viena, a Arquiduquesa Sophie, apresentou-a à Corte no Palácio de Schonbrunn, familiarizando-a com suas novas aias, damas de companhia e diversos outros servos pessoais.

Como dama do quarto de dormir, foi escolhida a Condessa Sofia Esterhazy-Liechtensteins, amiga íntima da Arquiduquesa; outras duas de suas damas, foram a Condessa Carolina Lamberg e a amável e simpática, Condessa Paula Bellegarde.

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Elisabeth casou-se com Franz Joseph, em 24 de abril de 1854. A cerimônia foi bastante longa. Tudo começou com Elisabeth despertando às 7 horas da manhã para ler dois grossos manuscritos sobre a etiqueta e papéis de suas damas de companhia, trazidos pela Condessa Esterhazy. Diante de tanta pressão, detalhes e etiquetas, a jovem cai em um pranto profundo.
Em seguida, Elisabeth, acompanhada de sua mãe e irmã, partiu rumo à igreja de Santo Agostinho, onde iria casar-se à tarde. Para a jovem Sissi, este não foi um dia romântico. Anos depois, ela relembraria com horror os intermináveis festejos, sentido como se fosse devorada pela multidão, que observava todos os seus passos. A igreja não ficava nem a dois quilômetros de distância e ainda assim, a carruagem levou horas para conseguir abrir caminho através da enorme multidão que estava às ruas.

Elisabeth, assim como a Rainha Vitória da Inglaterra (que casou-se anos antes, em 1840), vestiria branco, detalhe este, que reforçaria a moda de casar-se sob esta cor. Seu longo vestido de cauda, era bordado de ouro e prata e seus cabelos, ricamente adornados de murta e o resplandecente diadema que lhe fora dado pela Arquiduquesa Sophie. Em suas mãos ela carregava um belo e simples buquê de rosas brancas, recém colhidas. Seu noivo, Franz Joseph, trajou vestes de Marechal, crivadas de condecorações.

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Ela ficaria tímida e nervosa durante toda a cerimônia, murmurando em tom mal perceptível seu sim durante o sermão; o do imperador, ao contrário, ressoaria forte e claro. Com a aliança no dedo, sua mão é tomada pela de seu agora marido, que trêmulo, a entrelaça junto a dele. Neste momento estouram as salvas da infantaria em linha de parada na Josefsplatz e os sinos de todas as igrejas de Viena, tocam alegremente, avisando o especial acontecimento ao povo austríaco. O Imperador era agora um homem casado e sua belíssima esposa, uma mulher de sorte. Pelo menos era o que todos acreditavam…

Em seguida, o Arcebispo de Viena, o Cardeal Rauscher, entoa um infindável sermão do altar. Ele faz alusão ao todo poderoso, à concórdia e ao amor entre marido e mulher, seguido dos deveres e sagradas tarefas de um casal de soberanos. Ocorre um rápido e embaraçoso momento, quando Rauscher cita um trecho de Santo Agostinho: –

”Se uma mulher ama o marido por ele ser rico, ela não é pura, pois não ama a seu marido e sim a seu dinheiro. Se ela ama o marido, ama-o por pobre e falto de tudo que seja…”

2798866473_1Tais palavras exercem um forte baque em Sissi, deixando-a corada e envergonhada, uma vez que a riqueza de seu marido, segundo esta diria ao concordar casar-se com ele, soava-lhe mais como um empecilho, que qualidade.
No entanto, ela recordaria-se pouco depois, de tê-lo visto deixando a companhia de sua tia Sophie, carregando os papéis do sermão que ela lhe confiara em mãos.

Ao encerrar a cerimônia, o jovem casal Imperial deixa a igreja sob o som do clarim e rufar dos tambores, precedidos por pajens e dignitários em meio ao soberbo cortejo ladeado pelos alabardeiros da guarda de frente.

A noite estava apenas começando. Eles seguiriam para a Corte gratulatória no salão de gala. Um casal comum, deixaria a igreja e festividades principais, rumo à sua intimidade; no entanto, Sissi e Franz, como um casal Imperial, não dispunha de tal regalia.
Para a infelicidade da jovem, eles iriam participar ao decorrer da noite e próximos dias, de inúmeras festividades e cerimônias, como a luminária da cidade, noite de gala no teatro, bailes e delegações.

9ab8fd1cbe0357f8ca01c6b198f4be7eSissi passou sua lua de mel na ”casa azul” do castelo de Laxenburg, ao sul de Viena. No entanto, a maior parte do tempo fora passada ao lado apenas de sua sogra e damas de companhia. Para seu desgosto, Sophie aproveitaria tal ocasião, a fim de iniciar a educação de Sissi como Imperatriz, enchendo-a de ordens, regras de comportamento e vozes de comando. Angustiada, Sissi não tinha a quem recorrer, pois seu marido esteve quase sempre ausente em assuntos de estado.
Em um impulso de dominar o intimo de sua sobrinha, Sophie chegou inclusive a ler seus poemas e desabafos de sofrimento e saudades de seu lar. Ela não os interpretaria como os gritos de socorro e carência emocional de uma jovem aflita e sim, como um desaforo a seu filho, o Imperador. A reação de Sophie foi de extrema dureza.

No poema à seguir – escrito por Sissi duas semanas após seu matrimônio – ela retrataria o que seria o início de seu longo desprazer em sua vida conjugal ao lado de sua sogra: –

Oh, que eu nunca tivesse perdido-me no caminho
Que conduziria-me à liberdade.
Oh, que eu nunca venha a perder-me
Nestas longas estradas da vaidade.

Despertei em uma masmorra,
E com amarras nas mãos.
É cada vez mais forte a saudade –
E tu, cada vez mais longe, Liberdade!

Acordei de uma euforia
que dominou minha mente,
E maldigo em vão o dia
Em que te perdi – Liberdade.

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Elisabeth que era uma jovem tímida, encontrava-se agora sob observação permanente e sobretudo, perante uma crítica mordaz. Ela era uma jovem inexperiente e insegura, que estava disposta a aprender como lidar com sua nova vida, mas que no entanto, era vista na Corte, como a ”bela tolinha”.

A arquiduquesa Sophie, acreditara que teria um duro trabalho pela frente ao moldar sua nora para a vida como Imperatriz. Ela teria que completar sua educação e modos, polindo-a como um diamante bruto.

Querendo que sua esposa fosse obediente à sua mãe, Franz trataria os apelos de Sissi com pouca importância, faltando-lhe com a atenção que ela tanto precisava.

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