Sissi a Imperatriz da Áustria (4)

O êxtase da Corte, assim como o da família Imperial, permaneceria por pouco tempo. Após o nascimento de Rudolfo, tempos negros aproximam-se. Franz Joseph é obrigado a deixar a Áustria, rumo ao iminente conflito na Itália – que travava uma nova batalha de independência contra o Império. Preocupada com o marido e com o rumo que a situação poderia tomar, Elisabeth fica ainda mais desolada quando por sua segurança, é obrigada a permanecer na Corte, ao lado de sua sogra.

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A vida tenta prosseguir de modo costumeiro em Laxenburg. No entanto, a qualquer sinal de instabilidade no campo da batalha, Sissi entra em um estado de profunda inquietação, ficando quase sem comer ou dormir, andando o dia inteiro a cavalo e mantendo-se alheia a todos.

Ao receber as alarmantes notícias do comportamento de sua esposa, Franz escreve à Sissi pedindo para que acalme-se e que não ande tanto a cavalo, pois não fica bem. Ele tenta mostrar a esposa o amor e carinho que sente por ela, em todas as correspondências trocadas diante de tal período: –

”Acerca de tua equitação, refleti: a sós com Holmes (seu escudeiro pessoal) não posso deixar-te sair, pois não fica bem… Querida, celeste Sissi… meu lindo e único anjo (…) Por amor a mim e a nossos filhos, pensa também em ti e não apenas no trabalho e na guerra…”

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No entanto, a situação caminha de modo preocupante no teatro da guerra, afligindo agora não apenas Elisabeth, mas a todos. Após a Batalha de Magenta, perdida por inabilidade do comando, torna-se necessário abandonar Milão e as tropas austríacas são compelidas à retirada para longe, no quadrilátero. Um profundo impacto é causado em toda a monarquia; ao receber tais notícias, Sissi mal pode conter-se diante de tamanha inquietação quanto a segurança de seu marido, que há tanto, encontrava-se longe de seu lar.

A derrota na Itália repercute na Hungria, onde os elementos revolucionários, pressentindo o vento favorável, se insurgem e esperam talvez, realizar agora seus antigos desejos.

Buscando dar maior tranquilidade a seu coração e com intenção de sentir-se útil, Sissi instala um hospital para feridos em Laxenburg, passando nele a maior parte de seu dia. Isto muito agrada Franz, que escreve à ela: –

”É deveras bonito que tu instales um hospital em Laxenburg. És meu anjo bom e meu grande auxílio. Seja forte e constante; hão de vir dias melhores…”

Diante de tais desanimadoras perspectivas, somente a Prússia pode ocasionar uma

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reviravolta da situação na Itália, ameaçando Napoleão III sobre o Reno. Em Viena o clima é de total inquietação e burburios; fala-se de um encontro entre o Imperador e o Príncipe da Prússia. Desconfiada com as noticias, Sissi escreve ao marido, que responde: –

”Sobre o encontro com o Príncipe da Prússia do qual escreves, nunca ouvi falar. Receio sim, a possibilidade de iminente encontro, porém de outra natureza com aquele grande patife do Napoleão. Seria para mim ultra desagradável; mas se ele for útil à monarquia, terei de engolir a pílula. Napoleão para agora, animado por um enorme anseio de armistício de paz…” – Verona, 8 de Julho.

Os acontecimentos agora precipitam-se. A paz é tão urgente para Napoleão, como para a Àustria; pois se esta, está com seu exército enfraquecido, a Hungria descontente e a Rússia hostil pelas costas, aquele receia que enquanto está na Itália, seu país torne-se presa fácil do exército prussiano. Tal perspectiva leva, no dia 11 de Julho, ao congresso de Villafranca, seguido breve da assinatura do armistício. Aliviado, Franz Joseph pode enfim regressar à Áustria, para sua casa, esposa e filhos.

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Ao retornar à Corte, Franz nota que os conflitos entre Elisabeth e Sophie, vão ficando insustentáveis com o passar do tempo. Novamente, como das vezes anteriores, a arquiduquesa afirma que deve encarregar-se da educação de seu neto, Rudolfo. Sissi no entanto, reluta com seu marido que enquanto mãe, esta é sua função. Compreendendo as intenções de mãe e esposa, o dúbio posicionamento de Franz sobre tal questão, deixa Sissi cada vez mais desanimada com o rumo da educação de seus filhos e poder em suas próprias escolhas.

Sophie está cada vez mais desgostosa com sua nora, uma vez que acredita que seus ideais liberais, nada mais são que uma válvula de enfraquecimento do Imperador diante de perigosas investidas políticas.

Angustiada diante da pressão exercida sobre ela na Corte, o stress dos últimos tempos e a impotência diante dos assuntos de seus filhos, Sissi sucumbe a um colapso nervoso. Ela então resolve falar com Franz: –

”Sinto-me doente, é preciso que evite o inverno; desejaria passá-lo em um clima meridional”.  

Franz tenta propor algum local próximo, como Merano, Arco ou outra localidade, mas a Imperatriz é enfática: –

”Não, não; quero ir para longe!”.

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Ela acredita que a distância é o melhor remédio para suas angústias e falta de paz. Após muito refletir, crê que a Ilha da Madeira é a melhor opção, pois é o local mais longe de que pode pensar.

Alarmado com a condição de Elisabeth, Franz convoca inúmeros médicos para examiná-la e tornarem a examinar. Nenhum mal definido foi encontrado, apenas uma frequente dor de garganta, que não é justificativa suficiente para uma viagem tão longínqua.

Diante dos esforços e investidas de Sissi em deixar a Corte, por conseguinte, faz-se necessário qualificá-la de aflição pulmonar incipiente ou talvez, principio de tuberculose.

Não existe no entanto, nenhum navio austríaco disponível para tal apressada viagem, mas é inútil, a Imperatriz quer partir a todo custo. A pedido, a Rainha Vitória da Inglaterra, coloca a disposição seu iate para a travessia de Antuérpia à Madeira. Aliviada, Elisabeth segue rumo à Antuérpia, onde toma o iate da rainha inglesa.

Ao descobrir sobre a doença de sua amada Imperatriz, o povo fica apreensivo, especialmente por tratar-se de algo deveras grave. O clima em que a jovem deixa o Império, é de total desconforto.

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Ao optar por tal viagem, Sissi demonstrou desistir de tudo e de todos. Sua sogra havia ganhado, a pressão era forte demais. Ela não mais aguentava a dor de ver seus filhos separarem-se cada vez mais de si. Ela preferiu fugir, para bem longe.

A chegada em Madeira ocorre conforme o esperado. No local, ela aluga uma belíssima e aconchegante vila repleta de flores, com uma incrível vista para o mar. Através das amplas janelas da casa, descortina-se o vasto, cristalino e azul oceano.  Dinheiro não seria problema, o preocupado Imperador conferiu crédito ilimitado a sua enferma esposa.

Nos primeiros dias que seguem-se, Elisabeth entrega-se totalmente a tamanho espetáculo da natureza. A antiga Sissi de Possenhofen por um instante renascera e diante de tal beleza, as perspectivas pareciam deveras animadoras. Ela passa a esquecer-se do mundo a seu redor e de seus extenuantes problemas. No entanto, sua atual realidade na Corte é pesada demais para fazer-lhe ficar alheia do mundo por muito mais tempo, e a saudade do marido e filhos, cobra seu preço.

”A pobre imperatriz – escreve da Madeira o Conde Rechberg à tia (12 de fevereiro de 1861) – causa-me infinita pena, pois – que isto fique entre nós – acho-a muito, muito doente. Pelo que parece, a tosse não está em nada melhor que antes de sua vinda para cá; em geral, todavia, tosse pouco… mas moralmente está deprimida ao extremo, quase hipocondríaca, coisa talvez inevitável em seu estado: frequentemente pouco falta para ficar trancada o dia todo em seu quarto, chorando… Come poquíssimo, pelo que nos faz sofrer também, visto como o jantar – quatro pratos, quatro sobremesas, café e etc – nunca dura mais de vinte e cinco minutos. Em sua melancolia, salvo um passeio a cavalo na marcha, de uma hora no máximo, limita-se a passar o resto do dia à janela.”

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Uma das poucas alegrias da Imperatriz no local, são os pôneis adquiridos ou alugados para ela. Ela pede que busquem seus animais na Áustria; pássaros, cachorros e que mande outros novos, de outros locais da Europa. A pequena Sissi de outrora, encontra-se pelo menos neste aspecto, acolhida.

Novamente com o passar do tempo, Elisabeth vai alegrando-se e já fala em seu regresso. Sente muita saudade do marido e filhos, embora em nada lhe agrade reencontrar a arquiduquesa.

Ela parte de Madeira em 28 de Abril de 1861. Durante a viagem de regresso, ela estende-se em uma passada em Sevilha, onde permanece alguns dias, desgostosa por não ficar incógnita. A viagem toma rumos diferentes, prosseguindo por Gibraltar e Mallorca, rumo à ilha grega do mar jônico, Corfu. A Imperatriz de imediato apaixona-se pelo local, mas sem mais tolerar sua ausência, o Imperador requisita seu regresso imediato, o quanto antes.

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Franz Joseph a encontra no Trieste. Com lágrimas nos olhos, o Imperador mal consegue manter-se sóbrio após a longa separação. Eles então chegam à Viena e com alegria, ela revê seus filhos, que para sua decepção, estão totalmente voltados à sua sogra.

Com o retorno do convívio com Sophie, os problemas que pareciam tão distantes, retornam e com ele, uma intensa depressão, crises de tosse, perda de apetite e inchaços corporais. Ao ser examinada, é recomendado que ela passe por uma nova viagem, pois segundo o doutor Skoda, que a examina, caso a Imperatriz permaneça em Viena, ela não terá mais que seis semanas de vida.

A partida então, é marcada para 23 de junho. O povo, assim como os nobres, fica deveras confuso. A Imperatriz até pouco parecia tão bem…

Logo os boatos de doença dão lugar à uma crise doméstica. O destino é Corfu. Elisabeth chega no local dia 27 de Junho. Recusando toda a recepção oficial, ela vive em total retiro.

Em Corfu, Sissi faz longos passeios à pé pelos bosques de loureiros e longas excursões de barco. Ela toma banhos de mar, coisa bastante singular para uma enferma. Conforme diria ao Arquiduque: –

”Minha vida aqui é ainda mais tranquila que em Madeira. Gosto especialmente de ficar na praia, sobre os rochedos; contemplo os cachorros banhando-se e o lindo luar sobre o oceano…’’

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Ao receberem as graves notícias, os pais de Sissi ficam alarmados com sua saúde, e resolvem mandar enviados à Viena para saber exatamente o que se passa.

Helene parte para Corfu e lá chega, sendo recebida pela irmã com muita alegria. Pela primeira vez em anos, elas passam uma temporada juntas.

Helene não guarda sobretudo, rancor algum pela irmã, principalmente após notar que seu destino em nada fora cor-de-rosa como imaginara. Ela se espanta que Elisabeth não se alimente e insiste com ela que coma carne ao menos uma vez ao dia.

Com saudades de sua esposa e temendo os boatos de sua frequente ausência, Franz resolve ir à Corfu visitá-la. Ele chega na manhã de 13 de outubro.
O tempo que passa no local ao lado de sua esposa é animador e aproveitando sua estada, Franz insiste que Sissi retorne à Viena.

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No entanto, Sissi ainda não sente-se segura com um regresso; seus nervos não permitem-lhe tal luxo. Ela então, aceita qualquer outra parte do Império. Deste modo, fica combinado que a Imperatriz dirija-se o quanto antes à Veneza, onde em breve se reunirá com seus filhos.

A chegada à Veneza ocorre no dia 26 de outubro. No local, pouco animada, ela procura dedicar seu tempo à leitura. Para seu desagrado ela evita caminhar, devido a um insistente inchaço nos pés.
Seus filhos a encontram em 3 de novembro de 1861 e a visita deixa Elisabeth muito contente.

Durante o período que reside em Veneza, ela descobre outro modo de passar o tempo: –

”Estou enchendo um álbum de belezas – escreve aso cunhado, o arquiduque Luís Vítor – e para tal fim, coleciono fotografias, apenas de mulheres. Envia-me os lindos rostos que conseguires encontrar no Angerer ou em outros fotógrafos’’. 

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Ela coleciona desde retratos ocidentais, até de haréns turcos – o que causa certo choque na época. Para muitos, este foi o início de sua fascinação pelo belo; no caso, por sua própria beleza.

Devido seus incessantes inchaços, ela é levada a Kinssingen para tratamento, onde no início do ano seguinte, vive em retiro em uma pequena vila. Em julho ela parte para Possenhoffen onde encontra sua família. Em 14 de agosto, ocorre seu tão esperado retorno à Viena: –

”Temos de novo aqui nossa soberana – escreve sua irmã Helene, agora Princesa de Thurn e Taxis –como há dois anos, e todavia, após tantas peripécias! Madeira, Corfu, um mar de preocupações… Foi acolhida com um entusiasmo de que não recordo-me igual em Viena. Domingo teremos coros e desfiles de archotes, no qual prometeram tomar parte quatorze mil pessoas. Não esquecerei nunca a expressão dele (Imperador) no ato de ajudá-la a descer da carruagem. Acho-a airosa, mas com um aspecto artificial, uma expressão forçada e nervosa ao máximo, a cor tão viva que até me parece febril, e embora não inchada, bastante robusta e alterada de rosto.”

A acolhida feita em Viena é tão entusiasmada, que a Corte vê nisto, uma demonstração de certa maneira inconveniente, dirigida talvez à Imperatriz liberal, em contrapartida de sua sogra reacionária.

Aos poucos sua vida volta a rotina. Ela fica com os filhos, anda à cavalo e participa de festividades. Segundo suas damas, ela tem ótimo aspecto e parece outra mulher, corada, queimada pelo sol. Come com apetite, dorme bem, acha-se em condições de longas caminhadas. Todos estão felizes e é de se esperar que a rainha agora recupere completamente sua saúde (embora continue em tratamento médico por mais algum tempo).

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Franz nada nega-lhe, enchendo-a de mimos e dos melhores cavalos, para que ela possa ser a melhor esposa, mãe e Imperatriz possível.
Sem maiores dificuldades, os dias obscuros ficam no passado e Elisabeth acostuma-se novamente à vida palaciana. A crise palaciana em torno da Hungria e a favor do velho regime, aproxima cada vez mais a Imperatriz deste povo e vice e versa.

Com isto, ela espera obter maior aprovação do povo húngaro e passa a dedicar-se à língua local, da qual sabia pouco mais que algumas palavras. Ela aproveita brechas de suas funções quotidianas para tal, falando húngaro com sua criada de quarto enquanto se veste, ou lendo enquanto arruma seus longos e cheios cabelos. Ela passa a dedicar horas lendo inúmeros livros da língua, com afinco.

O Imperador mais tarde, comunicaria à sua mãe, o surpreendente progresso de Sissi na língua húngara. Tanto a arquiduquesa quanto a Corte austríaca, desagradou saber que a Imperatriz dedicava tanto tempo em interesses de tal povo, o que acabaria por gerar certo desconforto à Sissi.

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É diante deste período de deveres e ocupações, que Sissi presenciaria um momento delicado. Ela assistiria a morte de Hildegarda da Bavária, esposa do arquiduque Alberto.

Em seu leito de morte, a arquiduquesa convoca a jovem, que na madrugada do dia 03 de abril, vai visitá-la. Com tristeza e extrema incapacidade de ajudá-la diante de tal situação, ela escreveria mais tarde, uma comovente carta que marcaria o modo como a Imperatriz via a vida: –

”Pela primeira vez vi morrer um adulto. Fez-me uma impressão tremenda; nunca julgara que fosse tão difícil morrer, que a luta com a morte fosse tão espantosa. E pensar que todos passaremos por aí! Invejáveis os que deixam na inconsciência da infância este vale de lágrimas. Sim, a vida é uma coisa triste, e nela, a única certeza é a morte.”

No entanto, não tardaria que outro evento desviasse a atenção da jovem e da família Imperial.
É cogitada a ideia de fundar um Império no México, plano encabeçado pelo Arquiduque Fernando – um dos irmãos de Franz Joseph. Todos encaram tal ideia com extremo ceticismo, inclusive Elisabeth; com seus princípios liberais, ela nunca conseguiu compreender tamanha mania de unir tudo à uma coroa. No dia 14 de Abril, o então casal, entra a bordo do navio rumo a outro continente e um futuro incerto.

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Tempos depois, com o desenrolar da campanha do Schlewing-Holstein, em que a Áustria combate lado a lado com a Prússia, Elisabeth aproveita novamente o momento, para tratar húngaros no pequeno hospital instalado nas propriedades do palácio Imperial. Lá ela treina a língua e pede que tenha a seu lado uma dama de companhia húngara de confiança, a quem possa conversar.

A escolhida foi Ida von Ferenczy, que anima-se com a ideia. Sua índole é natural, sadia, viva e alegre – genuína húngara que ama sua pátria.

Este é o início de uma grande amizade. Ferenczy dedica à Elisabeth todos os seus cuidados e fidelidade ímpar, chegando a isolar-se das outras damas da Imperatriz, por estas, serem deveras influenciadas pela arquiduquesa.

Com a ideia de ter Franz longe de si nas campanhas com a Prússia, Elisabeth novamente experimenta a angústia e preocupação de ver-se longe de seu marido. Com isto, ela passa a dedicar-se à questões como as da educação de seu filho, que até então, estava sob constante manipulação de sua sogra. Tal reação causa críticas da Corte vienense, conforme cita a Marquesa Furstenberg: –

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”Não sei realmente, como é possível conservar o bom humor em meio de gente que é toda lamúrias, infelicidades e desesperos (ela refere-se à Sissi): os que me rodeiam, nobres e humildes, no fundo estão todos, uns mais outros menos, aborrecidos e descontentes. Esta é a famosa vida na Corte: é um felizardo quem conseguir ver-lhe os lados positivos!”

No que compele a educação do jovem Rudolfo, diante de Elisabeth, Furstenberg mantém atitude austera, ficando totalmente do lado da Arquiduquesa Sophie. A Imperatriz nota mais uma vez, seu fracasso em não possuir voz ativa na educação deste. A educação e maneira de agir imposta a ele, segundo Sissi, nada de bom podem trazer a seu filho. Segundo diria depois, não podem fazer de seu filho, nada além de”quase um idiota (…) é uma loucura atormentar uma criança de seis anos com sustos e querer torná-la um herói”.

Gondrecourt por exemplo, deixa-o parado do lado de dentro do muro que cerca o parque de Lainz, junto de uma porta; sai depressa e do lado de fora, grita: ”aí vem um javali!”– naturalmente o menino põe-se aos berros, mas, quanto mais grita, mais lhe assustam, até chegar ao ponto de que tal nervosismo, passe-lhe a ser deveras prejudicial – conforme cita a Imperatriz. A Sophie não agrada-lhe tais métodos, mas Gondrecourt é seu protegido e deste modo, recai-lhe a culpa de tal irresponsabilidade.

 

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Logo que a historia do javali chega à Elisabeth, a última gota do copo transborda. Ela arma-se de coragem e resolve falar com o Imperador. Este no entanto, exulta, acreditando nas boas intenções de sua mãe e séquito.

Ao notar que seu marido parece irredutível, Elisabeth apela para um confronto extremo, pedindo que este escolha entre o protegido de sua mãe, ou ela. A mensagem foi clara: quero autoridade sem limites para cuidar de meus filhos, escolher sua educação e zelar por sua criação.

Ela agora chega a um ponto extremo, não mais abaixaria a cabeça; seus afazeres pessoais, séquito, casa, filhos e tudo que lhe diz respeito, terá de agora em diante, ser unicamente de sua escolha.

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Deste modo, Gondrecourt é exonerado de suas responsabilidades, e o cuidado do príncipe herdeiro é confiado ao médico Hermann Widerhoder, enquanto que sua educação, é incumbida ao Coronel Latour von Thurnburg. Isto teria um baque na educação de Rudolfo, que seguia até então, um acentuado rumo conservador, e que após tal ataque de influência, torna-se demasiadamente liberal.

Sissi tem agora, mais do que nunca, que suportar a arrogância e ódio extremo de sua sogra, que deixa claro, que ela, a desagrada. No entanto, Sissi não é mais uma criança imatura e indefesa. Ela já é uma mulher de quase trinta anos, consciente de sua beleza, porte e afeto que causa a seu marido e à todos. À partir disto, uma nova mulher surge como uma fênix, um ícone para seu povo e pessoa capaz do fortalecimento de sua própria confiança e de seu prestigio pessoal.

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